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A História em tertúlia

Raul Rocha
\ segunda-feira, janeiro 17, 2022
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Foi uma grande noite da história oral para memória futura. Os que gostam de registar estas memórias ganharam a noite se lá foram. Quem considera que a história é só papéis, não esteve e perdeu.

Quatro grandes glórias do Vitória deram uma lição de história oral. António Peres, o capitão dos anos 1960, treinador e dirigente em décadas seguintes, Manuel Pinto, internacional A pelo Vitória nos tempos, recordados, onde só era convocado quem jogava no Benfica ou Sporting, Tito, o marcador de mais golos em toda a história vitoriana, e o Xico Rodrigues, guarda-redes do primeiro 3º lugar em 1969 e figura marcante da década seguinte, contaram história, episódios, emoções

Como se investiga e escreve a história?

Há quem só acredite em papéis guardados. São importantes. Um bom arquivo pessoal é uma mais-valia. Mas para além da investigação documental, há a história oral.

No passado dia 12, no “Convívio”, quatro grandes glórias do Vitória deram uma lição de história oral. António Peres, o capitão dos anos 1960, treinador e dirigente em décadas seguintes, Manuel Pinto, internacional A pelo Vitória nos tempos, recordados, onde só era convocado quem jogava no Benfica ou Sporting, Tito, o marcador de mais golos em toda a história vitoriana, e o Xico Rodrigues, guarda-redes do primeiro 3º lugar em 1969 e figura marcante da década seguinte, contaram história, episódios, emoções. Memórias, que só quem lá esteve registou e pode, mais tarde, transmiti-las às novas gerações.

Estive lá o ouvir o que era o Vitória de 1960 e 1970, sessenta anos antes, como em 1960 ouvi outros contaram o que era o Vitória dos anos 1920, quarenta anos antes.

Quem foi ao “Convívio” conheceu os “pelados” antes dos “relvados”, os “pitons” das “chuteiras” trabalhadas à mão pelos sapateiros Pinto e Paulo, o papel que o Restaurante “Mira Penha” do “Minchas” teve na estadia dos jogadores dos anos 60/70, as transferências não concretizadas apesar dos convites dos “grandes” porque havia o “direito de opção”, o que era o envolvimento coletivo do empresariado vimaranense na sustentação do clube, os dirigentes eram apenas os “cobradores” de apoios, o autoritarismo do tesoureiro que multava e o Presidente magnânimo que ia ter com os multados e pagava.

Esta radiografia da logística e da gestão desportiva do futebol dos anos 60/70 acabou por ser mais marcante que a descrição, que também teve lugar, das emoções, das vitórias, dos golos, do entusiasmo dos adeptos, da glorificação justa das glórias do passado.

Foi uma grande noite da história oral para memória futura. Os que gostam de registar estas memórias ganharam a noite se lá foram. Quem considera que a história é só papéis, não esteve e perdeu.

Esta é uma lição de uma noite de tertúlia, mérito da comissão do Centenário do Vitória.

Como ensinam todos os grandes centros de investigação da história, “a passagem a escrito de documentos produzidos no âmbito da história oral” (ver objetivos do Centro de Documentação 25 de abril da Universidade de Coimbra), é fundamental para o registo e arquivo histórico. Afinal também há historiadores que registam o que ouviram dizer…