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Os sócios escolheram…

Raul Rocha
\ sexta-feira, março 25, 2022
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Reconheço a António Miguel Cardoso o ADN para que fique na história do clube como sua referência. Será sinal de êxitos que têm estado ausentes ou ocorrido esporadicamente

Em 5 de março, entre 6000 e 7000 sócios do Vitória, com idade superior a 18 anos, votaram numa impressionante manifestação de vitorianismo e de democracia, e escolheram António Miguel Cardoso para Presidente.

Não conheço pessoalmente o novo presidente, nem tenho referências de amigos próximos. Já sou de outra geração, mais velha. Mas conheço bem o seu pai, Miguel Cardoso, também sempre apaixonado vitoriano e conheci o seu avô Luís Cardoso que foi um dos grandes amigos do meu pai.

Reconheço-lhe por isso o ADN vitoriano para se tornar um grande presidente que fique na história do clube como sua referência. Será sinal de êxitos desportivos e de gestão que têm estado ausentes ou ocorrido apenas esporadicamente.

É certo que ganhamos a “Taça” em 2013, há nove anos, e fomos à pré-eliminatória da “Champions” em Basileia em 2008, depois de termos descido ao “inferno” em 2006. Mas as grandes referências das atuais gerações vitorianas ainda são os anos 1980 de Cascavel e Ademir há quase quarenta anos.

Recuperar o estatuto de “4º grande” conseguido na década de 1960, quando o pai do atual presidente era um jovem adolescente, e que se manteve nos resultados desportivos até ao final do século XX, e que ainda hoje somos na expressão associativa, em quantidade e paixão, é o sonho de todos os vitorianos.

Para tal é necessário vitorianismo, mas também competência na gestão desportiva. Em 2019 votei em Miguel Pinto Lisboa, sem o conhecer. Era também de uma nova geração relativamente à minha. Integrei o Conselho Vitoriano e fiquei com a melhor das recordações do seu vitorianismo. Faltou-lhe a coragem na gestão. Ficará, porém, na história como o presidente que recuperou a maioria do clube na SAD, que a anterior gestão tinha prescindido. Feito não menor.

Era preciso, todavia mais. Coragem para resistir aos empresários que utilizam o Vitória para ganharem a grande parte da valorização de ativos. Hoje toda a gente consegue ganhar dinheiro com o Vitória. Desde o agente que nos oferece jogadores e fica com a parte de “leão”, aos pretensos profissionais de gestão desportiva que são contratados em quadruplicado, ao pequeno emprego no clube para tarefas inexistentes. São diretores desportivos, team manager, dezenas de treinadores. No último domingo, em Felgueiras, equipa B, no banco três treinadores, todos antigas glórias, mas três!!!

No ano do início do segundo centenário da vida do Vitória, quero acreditar que vamos voltar a ter um presidente na galeria dos “notáveis” vitorianos, recordado sem mácula. Que será uma grande referência como o foram tantos no passado, que bem recordou no seu discurso de posse ao citar e homenagear António Macedo Guimarães.