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Os Valores… (Continuação)

Francisco Oliveira
\ sexta-feira, março 04, 2022
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Ganhe quem ganhar, que ganhe sobretudo aqueles que na prática, na gestão e na adesão clubística procuram fazer deste nosso Vitória um lugar de identidade e de paixão sem muros de ódio e de ganância.

Os valores que o jogo/desporto promove são de máxima relevância nos tempos conturbados em que nos situamos. Queremos um desporto para o ser humano, onde nunca esteja em jogo a dignidade de todos os seres humanos, e toda a gente seja considerada pessoa. Pessoa compreendida na sua unidade de corpo, espírito e alma, que valorize, além das possibilidades físicas, as capacidades intelectuais e espirituais. Um desporto que recorde a todos que a liberdade também é, e por antonomásia, responsabilidade. Uma atividade lúdica que contrarie a cultura do descarte dos tempos hodiernos, com a sua proposta de desafios a longo prazo, que se expressa no treino e no empenho dos atletas e das equipas. Um ideal de perseverança que não despreza as regras, mas onde cada atleta e equipa põe em campo a sua liberdade e criatividade na persecução dos objetivos, cultivando a virtude da justiça. As regras ajudam a compreender que a justiça não é uma coisa meramente subjetiva, mas num claro sublinhar da dimensão objetiva nas formas diversas do jogo. Não se pode esquecer que as regras não limitam, mas estimulam a criatividade e melhoram a liberdade de cada atleta e de cada equipa. Porém, o jogo tem uma lógica de gratuidade que não se jogam por serem necessários à existência, mas são jogados e neles participamos livremente; e só porque nos agrada participar.

Sem dúvida que o desporto/jogo tem por fundamento um pressuposto primeiro – a colaboração e o acordo sobre as regras que constituem a sua prática e fruição. A colaboração precede e está na base da competição, sendo assim o oposto da guerra (quer dizer, quando a cooperação já não é possível), pois o adversário é mais um participante neste contexto codificado das regras e não um inimigo aniquilar. Mais, é a presença do adversário que faz despoletar o melhor do atleta, tornando esta experiência competitiva agradável e fascinante. Competição, no latim com petere, significa fazer com força; portanto, os atletas em competição esforçam-se juntos por dar o seu melhor. Isto está retratado quando no fim dos jogos os atletas se cumprimentam com cordialidade e fair play, e promove o desenvolvimento saudável do talento e caráter dos atletas. Sobretudo quando, além do respeito das regras, passa pelo estar atento, respeitando o adversário e a sua liberdade independentemente de qualquer repercussão regulamentar. Logo, ao contrário de um treinador português de nome Jorge Jesus, o fair play não é uma treta, mas permite que o desporto/jogo se torne uma oportunidade de educação para toda a sociedade, partindo dos valores e das virtudes presentes no desporto, como a perseverança, a justiça e as boas maneiras.

Em tempos eleitorais no nosso Vitória, a equipa de todos nós, seria belo e gratificante que a forma elevada e cordata da campanha eleitoral seja o resumo essencial deste ato relevante para a instituição Vitória Sport Clube, de tão magna importância na terra que é nossa. Sim!!! Todos somos poucos para mostrar e afirmar o papel único do desporto/jogo na transmissão dos valores que constroem a nossa humanidade em fraternidade e solidariedade. Aos três valentes candidatos ao meu único clube do coração exijo o respeito pela história deste enorme clube, a seriedade frontal para com os seus sócios e adeptos – que são únicos –, e façam tudo, não para ganharem as eleições, mas que seja o Vitória e as suas gentes a ganharem. O primado do desporto/jogo será sempre a pessoa, que numa dinâmica de serviço, e não na busca dos lucros e do ganhar a qualquer preço, buscando sempre (como é lógico) um são equilíbrio entre o jogo e a economia. Por outro lado, que se proponha sempre no empenho pela humanização e pela urbanidade da existência neste chão comum em que habitamos. O desporto deve ser promovido e praticado no máximo respeito pela pessoa e orientado para o seu crescimento integral. O jogo/desporto deve fomentar uma ecologia integral e cultivadora de sã convivência. Fazer um Vitória Maior tem que forçosamente passar por aqui. Ganhe quem ganhar, que ganhe sobretudo aqueles que na prática, na gestão e na adesão clubística procuram fazer deste nosso Vitória um lugar de identidade e de paixão pelo desporto (somos um clube eclético) sem muros de ódio e de ganância. Agradeço a coragem dos três candidatos, mas mais agradecido ficarei se quem ganhar souber ganhar, e quem perder souber perder. Somos uma família, e não inimigos em guerra. Viva o Vitória Sport Clube!