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Quem precisa de ser policiado?

Ricardo Freitas
\ segunda-feira, abril 04, 2022
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Alguns elementos do Corpo de Intervenção da PSP não podem exercer as funções para as quais são remunerados, e a quem confiamos a nossa segurança.

No passado dia 19 de março, o Vitória recebeu no D. Afonso Henriques o Sporting CP. Os ingredientes para aquele jogo ser um hino ao futebol e ao desporto, com duas equipas de qualidade, aguerridas e ambas a lutar por objetivos legítimos estavam reunidos. O estádio do Rei registava a sua melhor ocupação da época, até ao momento, com 16.122 espetadores e o ambiente que se sentia no estádio fazia jus ao sentimento Vitoriano, sendo uma bela forma de finalizarmos um dia tão especial, como é o Dia do Pai.

No entanto, os principais responsáveis por manter a ordem e a lei, dentro e fora do campo, não estiveram lá para cumprir com as suas obrigações, de forma diligente e ética. Mais uma vez, um dia que deveria terminar em festa culminou de uma forma vergonhosa e nos faz refletir se devemos continuar a ir a estádios de futebol, principalmente com os nossos filhos.

Sobre as incidências do jogo, sobre o trabalho da equipa de arbitragem, sobre o posterior comportamento do Conselho de Disciplina não é necessário fazer grandes dissertações, pois nada de novo aconteceu. Infelizmente, o Vitória continua a ser um clube muito fácil de lesar sem que sofram as respetivas consequências. Se é grave? É! Se desvirtuam a verdade desportiva? Desvirtuam! Mas não é, nem nunca será suficiente para conseguirem fazer com que os Vitorianos desistam!

Contudo, o que aconteceu fora das 4 linhas, isso sim, foi de uma gravidade tal que pode afastar ainda mais o público dos estádios e passadas 2 semanas parece que nada aconteceu, não é notícia, não temos conhecimento de medidas, além de ser um comportamento que de quando em vez se repete.

Ficou novamente demonstrado que alguns elementos do Corpo de Intervenção da PSP não podem exercer as funções para as quais são remunerados, e a quem confiamos a nossa segurança. Esses elementos não são agentes de segurança, são verdadeiros energúmenos e delinquentes que têm de ser julgados e condenados.

São situações que se repetem ciclicamente e a impunidade que os protege contra os adeptos faz com que no futuro voltem a acontecer. A história diz-nos isso mesmo, com a quantidade de factos que já ocorreram, com a exceção da condenação do subcomissário da PSP, com três anos e meio de pena de prisão suspensa, pela brutal agressão sobre um adepto do Benfica, em maio de 2015, também no nosso estádio.

Desta vez, o único grupo organizado que descarregou as suas frustrações e praticou atos de violência, inclusive sobre crianças, jovens, mulheres e idosos, foi um grupo que o Ministério da Administração Interna e a Justiça portuguesa permitem que não estejam nominalmente identificados, contrariando a lei que assim o obriga, facultando-lhes imunidade e dificultando a sua identificação e justo julgamento, como no caso do adepto do Boavista que ficou gravemente ferido no nosso estádio.

Fica a questão: Quem nos protege destes “polícias”?

Saudações Vitorianas e Viva o Vitória!