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Salvar vidas

Miguel Ângelo Ribeiro
\ segunda-feira, junho 28, 2021
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A 12 de junho de 2021 o Mundo desportivo ficou incrédulo com o sucedido a Christian Eriksen. Decorria o minuto 43 quando o dinamarquês de 29 anos caiu de forma desamparada no relvado.

A rápida intervenção das equipas médicas presentes no estádio terá certamente contribuído para que este grande susto não tivesse um desfecho ainda mais trágico. Ainda que não seja garantia de salvação, a prontidão da resposta pode ser, em muitos casos, a diferença entre a vida e a morte.

Estes atletas de alta competição são alvo de uma extensa investigação médica durante a pré-temporada e a época desportiva. O objetivo dessa vigilância é identificar indivíduos com problemas e determinar a melhor orientação, de modo a minimizar o número de situações que ocorrem de forma inesperada. No entanto, a avaliação médica e os exames realizados não conseguem reconhecer a totalidade de alterações potencialmente fatais. Existem alterações que não são ainda conhecidas e outras que ocorrem de forma súbita, pelo que é possível que alguns destes eventos aconteçam mesmo a pessoas extremamente vigiadas. Ainda assim, apesar de raros, eventos deste género em atletas têm um impacto muito significativo na sociedade, quer pela mediatização dos casos, quer pela noção de invulnerabilidade e imortalidade que temos dos atletas.

As imagens do momento acima referido transmitidas (vezes sem conta) pela televisão, apesar de extremamente angustiantes, devem servir de exemplo para a importância da formação em suporte básico de vida. Felizmente, nesta situação, estavam presentes profissionais de saúde com vasta experiência e materiais essenciais neste tipo de intervenções. Contudo, episódios semelhantes podem acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar. Na minha opinião, em pleno século XXI é incompreensível como é que ainda não foi integrado na estrutura curricular do ensino escolar (secundário, por exemplo) a formação em suporte básico de vida. Coisas simples como: garantir as condições de segurança, saber transmitir a informação de forma adequada ao CODU, impedir o colapso da via aérea e a aspiração de eventual vómito através da colocação na posição lateral de segurança e o início de manobras, quando necessárias, o mais precocemente possível são pequenos gestos que poderão SALVAR VIDAS!