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Vamos continuar a fazer de conta que não existem agressões a árbitros?

Alain Freitas
\ sexta-feira, abril 22, 2022
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Todos os árbitros são preparados para não reagir a insultos, injurias, cuspidelas, mas quando são agredidos, garantimos que ficam com mazelas para toda a vida.

Ultimamente têm sido tornados públicos vários vídeos onde se constata a agressão a elementos das equipas de arbitragem. Temos conhecimento de outras agressões que, embora não sejam suportadas por vídeos, têm ocorrido em campos dos campeonatos de formação. E pasmassem, as agressões foram levadas a cabo pelos pais dos atletas, perante a inoperância dos diretores dos clubes e demais intervenientes no jogo.

Todos os árbitros são preparados para não reagir a insultos, injurias, cuspidelas, mas quando são agredidos, garantimos que ficam com mazelas para toda a vida, independentemente da gravidade da agressão. Isto marcará a sua vida desportiva e pessoal para toda a vida. Temos jovens árbitros que neste momento já estão a abandonar a atividade com receio de serem agredidos. A desculpa que a sociedade se encontra menos tolerante tendo em consideração o período pandémico que estamos a passar não pode servir de propósito para que ocorram este tipo de comportamentos selvagens, junto de árbitros.

Nos últimos tempos temos sentido um decréscimo acentuado na nossa segurança, e na nossa opinião, isto acontece devido à ausência das forças policiais nos recintos desportivos. Devem os responsáveis das entidades organizadoras das competições refletirem se é neste clima intimidatório e intolerante que querem continuar a gerir as suas competições, e se estão à espera que acontece um episódio de maior gravidade para tomarem medidas.

Não podemos continuar a fazer de conta que isto não está a acontecer e continuarem a apelar às equipas de arbitragem que tenham paciência e que realizem os jogos, mesmos quando a sua segurança é colocada em causa. Numa semana onde de Inglaterra chegou mais um elevado momento de respeito pelo próximo, deveremos refletir do que lá foi feito para eliminar dos recintos desportivos aqueles que não gostam do jogo.

Há pouco tempo atrás, tive oportunidade de assistir a um jogo do campeonato distrital da AF Braga, onde nem a presença da Guarda Nacional Republicana conseguiu garantir que os adeptos afetos à equipa visitada não tivessem tido comportamentos de incentivo à violência (tendo quase chegado a agressão) para com um dos elementos da equipa de arbitragem, apenas porque este cumpriu a lei. A equipa de arbitragem manteve-se alheia a este clima intimidatório, mas as forças policiais tiveram um comportamento de elevada competência para