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Vitória SC – 100 anos de História II: Campeão Distrital da AF Braga

Alberto de Castro Abreu
\ sexta-feira, fevereiro 18, 2022
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A temporada futebolística de 1933/34 ressalta na história do Vitória, sobretudo, pela conquista daquele que seria o seu primeiro Campeonato Distrital da Associação de Futebol de Braga.

Nesta época, para jogador-treinador, foi escolhido pela Direcção do Vitória, empenhada no desenvolvimento progressivo do clube, um húngaro, Estevão Puskas, antigo futebolista do conceituado Ferencvaros da Hungria, que trazia consigo excelentes referências, não apenas como praticante mas, especialmente, como um profundo conhecedor do aspecto técnico-prático da modalidade.

Todavia, apesar da conquista alcançada, e aqui a título de mera curiosidade, suspeitava-se, naquela altura, que Puskas seria, na verdade, um intruja, já que enquanto jogador nunca chegou a alinhar pelo Vitória, e mesmo, as suas anunciadas qualidades enquanto técnico nunca chegaram a convencer a exigente massa associativa vitoriana, não obstante os resultados desportivos alcançados.

O Campeonato Distrital da A.F. de Braga de 1933/34 começa por disputar-se com os clubes divididos em duas séries, encontrando-se, na final, que se realizaria em dois jogos, o vencedor de cada um desses agrupamentos.

A série onde ficou inserido o Vitoria, contava, além da coletividade vimaranense, o Sporting Clube Maria da Fonte, da Póvoa de Lanhoso, o Sporting Clube de Fafe, o Triunfo Foot-ball Clube, de Vila Verde, e o Comercial Futebol Clube de Braga.

Em cima, da esquerda para a direita: Ricoca, Mário e Manecas, Freitas, Rita, Paredes e Estevão Puskas (Treinador)  Em baixo, da esquerda para a direita: Virgílio, Cunha, Faria, Constantino e Laureta.

Em cima, da esquerda para a direita: Ricoca, Mário e Manecas, Freitas, Rita, Paredes e Estevão Puskas (Treinador)
Em baixo, da esquerda para a direita: Virgílio, Cunha, Faria, Constantino e Laureta.

A equipa do Vitória venceu, tranquilamente, aquela série, contabilizando, à excepção de um empate em Fafe, todos as restantes partidas realizadas com triunfos, alguns bastante avolumados, evidenciado, assim, a sua supremacia sobre os demais competidores.

Como era, amplamente, aguardado, o vencedor da outra série da competição foi o Sporting Clube de Braga, o campeão de todas as doze competições distritais, anteriormente, realizadas.

O primeiro jogo da final da competição realizou-se, então, na cidade de Guimarães, em 25/03/1934, no Campo do Benlhevai, recinto que se situava entre a actual Avenida Alfredo Pimenta e a Rua de S. Gonçalo.

Uma compacta multidão de adeptos lotava toda a envolvente do retângulo de jogo e outra, em não menor quantidade, vibrava fora do recinto com as bem audíveis aclamações dos espectadores que se apinhavam no interior do Campo do Benlhevai.

Além dos apaniguados vimaranenses, também da cidade de Braga, chegaram, em grande júbilo, várias centenas de adeptos, vindos, diz-se, em 7 camionetas e num número incontável de automóveis, que foram chegando em curso à cidade de Guimarães.

Da esquerda para a direita: James (Massagista), Constantino, Freitas, Mário, Faria, Paredes, Ricoca, Manecas, Laureta, Virgílio, Fonseca, Bravo e Estevão Puskas (Treinador)

Relata-se que foram recebidos com a maior cordialidade pelas gentes de Guimarães, e com eles confraternizaram, dignamente, nos momentos que antecederam o início do grande jogo.  

Quanto à partida, intensa, renhida, emotiva e equilibrada, mas com ligeiro ascendente do Vitória, terminou com o triunfo dos vimaranenses por 1-0, com um golo apontado pelo defesa Paredes, aos 87 minutos de jogo.

Em vantagem para o segundo jogo da final, seguiram para a cidade de Braga, partindo da Praça D. Afonso Henriques (hoje a Praça do Toural), a camioneta que transportava a equipa do Vitória, esta, perseguida na mesma rota por uma enorme falange de apoio, contabilizada, diz-se, também, por cerca de 16 camionetas e 50 veículos automóveis.

Jogou-se, assim, em 08/04/1934, no Campo dos Peões, em Braga, o encontro que atribuiria o título de campeão distrital. A partida decisiva, jogada num terreno lamacento, devido aos fortes aguaceiros que antecederam o início da contenda, prejudicou o desempenho de ambas as equipas, de forma que, facilmente, conseguiram anular mutuamente as iniciativas atacantes de uma à outa, considerando-se, assim, um jogo equilibrado e bem evidenciado num empate a 0-0 que saldou o resultado final.

Da esquerda para a direita: Domingos Nobre (Enfermeiro) James (Massagista), Ricoca, Bravo, Faria, Constantino, Mário, Laureta, Virgílio,  Fonseca, Freitas, Manecas, Paredes e Estevão Puskas (Treinador)

O nulo estabelecido beneficiava, obviamente, o Vitória que, assim, alcançava aquele que seria o seu primeiro título de campeão do Campeonato Distrital da A.F. de Braga da sua história.

À chegada a Guimarães, uma imponente e vibrante recepção votaram os vimaranenses à equipa do Vitória, ladeados por várias girandolas de fogo de artifício, duas bandas de música e, até, os sinos do campanário da Basílica de S. Pedro executava, apropriadamente, o hino da cidade.

Cravado na história do Vitória fica, obviamente, a constituição da equipa campeã composta da seguinte forma: Ricoca; Paredes e Manecas; Freitas, Laureta e Mário; Fonseca, Constantino, Faria, Virgílio e Bravo.