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Vitória SC – 100 anos de história – IX – Taça de Portugal

Alberto de Castro Abreu
\ sexta-feira, setembro 30, 2022
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Cada um dos troféus conquistados pelo Vitória, em futebol, ao longo dos 100 anos de vida tem, intrinsecamente, a sua particular valia histórica e importância.

O Campeonato Distrital de Infantis da A.F. de Braga, conseguido pelo Vitória em 1927, teve, naquele tempo, uma relevância considerável que, naturalmente, na história recente do clube, não teria.

O mesmo sucede, obviamente, com os sucessivos títulos de campeão distrital e do Minho que o Vitória alcançou entre meados da década de 30 e entremeios da década de 40, do século passado.

Os triunfos no Campeonato Nacional de Juniores, em 1990/91, de Iniciados, em 1995/96 e o de Juvenis, na temporada de 2013/14, são, também, conquistas de relevo, estas, porém, já de consideração nacional.

 

A equipa principal de futebol, não obstante os relevantes feitos, resultados e classificações, ao nível nacional e europeu, alcançados ao longo da sua história, teve, até 2013, a Supertaça Cândido de Oliveira, conquistada em 1988, frente ao FC Porto, como o seu principal troféu nas galerias do clube.

Por isso, a importância da conquista da Taça de Portugal, a segunda mais importante competição nacional, na temporada de 2012/2013, é inquestionável, assumindo, actualmente, o estatuto do principal êxito no palmarés do Vitória.

Importará, então, recordar o percurso trilhado pelo Vitória até à final da competição e, finalmente, o jogo que marca, marcou e marcará, para sempre, a letras douradas a história do clube.

A caminhada para a final do Jamor começou em Guimarães, na 3.ª eliminatória da prova, frente aos minhotos do Vilaverdense, num encontra que o Vitória venceu, com natural facilidade, por 6-1, com os golos a serem anotados por Marcelo Toscano, Ricardo Pereira e Soudani, bisando cada um deles, enquanto o tento de honra da equipa de Vila Verde foi apontado por Beré.

 

 

Na ronda seguinte rumou o Vitória à cidade do Sado para defrontar o seu homónimo de Setúbal, clube, com o qual existia, digamos, uma espécie de malapata, após duas eliminações da equipa de Guimarães no desempate através da marcação de grandes penalidades, sobretudo na época de 2005/06, quando a eliminação ocorreu nas meias-finais da Taça de Portugal.

Desta feita, todavia, sorriu ao Vitória de Guimarães a fortuna da lotaria dos penáltis, após um desafio com laivos impróprios para cardíacos, já que, no decorrer do tempo regulamentar, ao golo de Meyong, para o Vitória de Setúbal, logo aos 13 minutos, na conversão de uma grande penalidade, respondeu o Vitória de Guimarães, aos 49 minutos, por João Ribeiro, também através da marcação de um penálti.

Já no decurso do prolongamento, aos 115 minutos, adiantaram-se, agora, os de Guimarães no marcador, com um golo da autoria de Leandro Freire, naquilo que parecia ser o momento de selada a passagem da eliminatória. Contudo, Jorginho, apenas um minuto depois, empatou, novamente, a contenda, e levou a decisão da eliminatória para a marca da grande penalidade onde o Vitória de Guimarães acabou por levar de vencida a equipa setubalense por 3-5.

 

Nos oitavos-de-final, a ronda seguinte, a fortuna da lotaria dos penáltis voltou a acompanhar a equipa do Vitória no desafio frente ao Marítimo, na Ilha da Madeira, afastando a equipa insular com um triunfo por 4-5 após um desempate através da conversão de grandes penalidades.

No tempo regulamentar verificou-se um empate a 1-1, com golos de Fidélis, para o Marítimo, aos 9 minutos, e de Ricardo Pereira, aos 64 minutos, para o Vitória, decorrendo o prolongamento sem qualquer incidência que alterasse a igualdade no marcador.

Nas grandes penalidades brilharia a grande altura o guarda-redes do Vitória, Douglas, que, com duas excepcionais intervenções, defendeu dois penáltis, operando uma reviravolta na marcha do marcador após João Ribeiro ter falhado logo na primeira oportunidade.

 

 

Seguiu-se, nos quartos-de-final, o derby dos derbies. Vitória e Braga defrontaram-se na cidade de Guimarães, numa gélida noite do mês de janeiro de 2013, para determinar aquele que seria para as meias-finais da Taça de Portugal.

O Vitória entrou, praticamente, a ganhar, pois, cumpria-se, ainda, o primeiro minuto do jogo e Jean Barrientos, em jogada individual, irrompendo pela grande área bracarense, rematou rasteiro, colocado e certeiro, junto ao poste esquerdo do guarda-redes Quim, inaugurando o marcador.

 

 

O golo madrugador contagiou os apaniguados vitorianos nas bancadas do Estádio D. Afonso Henriques que, num ambiente fantástico, sustentaram a equipa do Vitória durante todo o jogo, tornado o derby muito mais intenso e emocionante.

Atrás no marcador, o Braga assumiu, naturalmente, a iniciativa do jogo, cabendo ao Vitória lançar perigosos contra-ataques. Não obstante as repartidas oportunidades, as insistências dos arsenalistas redundariam, na ponta final da partida, num golo de Éder aos 85 minutos de jogo.

 

 

Necessário seria, então, a realização de um prolongamento para ditar o vencedor. Nesta fase, a equipa do Vitória, visivelmente desgastada, mas empolgada à exaustão pelos seus adeptos, teve uma exibição notável. Primeiro, adiantando-se no marcador, novamente, através de Jean Barrientos, após boa jogada pela esquerda e assistência de João Ribeiro. Depois, abnegadamente, sustendo o ímpeto bracarense, sobressaindo, mais uma vez, o guarda-redes Douglas, com três intervenções magníficas a evitar o golo do empate.

Transposto o eterno rival minhoto, o Vitória encontrou nas meias-finais da prova, disputada já em duas mãos, o Belenenses, aquele que revelar-se-ia o adversário mais fácil que os três anteriores.

 

 

Na primeira mão, no Estádio do Restelo, o Vitória selou, praticamente, a passagem à final da competição, vencendo, tranquilamente, o Belenenses, por 0-2, com ambos os golos da autoria de Ricardo Pereira. Já na segunda mão, jogada em Guimarães, o Vitória voltou a vencer o Belenenses, agora, por 1-0, com um golo apontado por Marco Matias.

Carimbado, assim, o acesso ao Jamor, havia de chegar o dia 26 de maio de 2013, data marcada na história do clube e da cidade, para o desafio da grande final da Taça de Portugal, referente à temporada de 2012/2013, a denominada prova rainha do futebol português, entre o Vitória e o Benfica.

A costumada falange de apoio do Vitória cedo fez-se sentir, lotando, rapidamente, o espaço reservado no Estádio do Jamor e, ainda, antes do início dos exercícios de aquecimento das equipas fez sentir a sua presença de forma inolvidável. Aliás, naquela tarde, a entrada da equipa do Vitória no relvado para a realização dos exercícios de aquecimento foi equiparada auspiciosamente, na efusividade do apoio, a uma celebração antecipada da vitória que haveria de conseguir.

 

 

Quanto ao jogo e seus protagonistas, teve o Vitória, comandado pelo técnico Rui Vitória, a seguinte formação inicial: Douglas; Kanú, Paulo Oliveira, El Adoua e David Addy; Leonel Olímpio, André André e Tiago Rodrigues; Ricardo Pereira, El Soudani e Amido Baldé.

A arbitragem ficou a cargo de Jorge Sousa, do Porto, enquanto no adversário, treinado por Jorge Jesus, sobressaiam futebolistas como Maxi Pereira, Luisão, Garay, Matic, Enzo Perez, Sálvio, Cardozo, Gaitan e Pablo Aimar.

A partida iniciou com o Benfica a dominar o jogo, com mais posse de bola e em toada ofensiva, sem, porém, alcançar grandes oportunidades de golo, à excepção de um cabeceamento de Garay, na sequência da cobrança de um canto, que Douglas respondeu com uma excelente defesa.

 

 

O Vitória, por seu turno, com a equipa bem posicionada no terreno, assumiu uma postura expectante e motivada em lançar jogadas de contra-ataque que visassem a baliza adversária. É nessa toada que, momentos antes do primeiro golo, para o Benfica, o Vitória dispôs de uma excelente oportunidade, desperdiçada por David Addy, num bem gizado lance de contra-ataque.

Adianta-se, então, o Benfica no marcador, à passagem dos 30 minutos, com um golo apontado por Nico Gaitán, num lance involuntário, pois, quando o defesa do Vitória Kanu pretendia aliviar a bola do interior da sua área está, de forma fortuita, atingiu na sua trajetória o pé do jogador benfiquista, desviando-a, inadvertidamente, para o interior da baliza do desamparado Douglas.

Em desvantagem, o Vitória tentou reagir à desvantagem e momentos antes do intervalo dispôs de nova oportunidade, desperdiçada, novamente, por David Addy, após outra jogada de contra-ataque.

Na segunda metade da partida a iniciativa do jogo coube, agora, ao Vitória, que, perseverantemente, instalou-se no meu campo adversário na busca da igualdade, sem, contudo, é certo, conseguir criar grandes oportunidades para marcar.

 

 

Já depois das entradas de Marco Matias e de Rafael Crivellaro, jogadores mais ofensivos, para os lugares de Kanu e Leonel Olímpio, estes com características mais defensivas, o Vitória conseguiu o golo da igualdade, aos 79 minutos, através do avançado El Soudani. Aproveitando uma errada reposição de bola em jogo do guarda-redes do Benfica, Artur Moraes, o centrocampista vitoriano, Rafael Crivellaro, pelo interior do meio campo, desmarca El Soudani que, isolado atira para o funda da baliza benfiquista.

Estavam, ainda, em êxtase as bancadas dos vitorianos vibrando com o golo do empate quando, somente 2 minutos depois, Ricardo Pereira coloca o Vitória na frente do marcador. Numa jogada individual, Ricardo Pereira, ainda bem distante da grande área do adversário, desfere um remate rasteiro e colocado, apontado, assim, o golo da reviravolta na partida.

 

 

Se em êxtase estavam, ainda, os vitorianos com o primeiro tento, redobrados foram os festejos do segundo golo, numa apoteose infindável que, digamos, durou, desde então, até ao final da madrugada já em plena cidade de Guimarães.

Apito final e o Vitória conquistava, deste modo, a Taça de Portugal, o principal troféu que, actualmente, engalana, orgulhosamente, as vitrinas do clube e da cidade de Guimarães.